Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:247-50 - Vol. 23 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rbci.2015.08.001
Artigo Original
Utilização minimizada de contraste na intervenção coronária percutaânea guiada pelo ultrassom intravascular. Seguimento de 1 ano do estudo randomizado MOZART
Minimized contrast use with intravascular ultrasound‐guidance percutaneous coronary intervention. One‐year follow‐up of the MOZART randomized study
José Mariani, , Fernando Roberto De Fazzio, Fernando Luis Melo Bernardi, Breno de Alencar Araripe Falcão, Cristiano Guedes Bezerra, Antonio Esteves Filho, Paulo Rogério Soares, Sílvio Zalc, Roberto Kalil Filho, Pedro Alves Lemos Neto
Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
Recebido 17 Janeiro 2015, Aceitaram 25 Agosto 2015
RESUMO
Introdução

Recentemente, o estudo MOZART demonstrou que a utilização do ultrassom intracoronário (USIC) para guiar a intervenção coronariana percutânea (ICP) diminui o volume de contraste utilizado no procedimento. Avaliamos a incidência de eventos adversos cardiovasculares tardios desses pacientes.

Métodos

Pacientes com risco para nefropatia induzida por contraste (NIC) ou para sobrecarga de volume, e com indicação de ICP, foram randomizados para procedimento guiado pela angiografia ou USIC, e acompanhados por um período de 1 ano.

Resultados

Incluídos 83 pacientes nos grupos ICP guiado por angiografia (n = 42) ou USIC (n = 41), sendo que 77,1% eram diabéticos e 44,6% tinham clearance de creatinina < 60mL/min/1,73m2. As características clínicas e angiográficas não mostraram diferenças entre os grupos. A maioria tinha lesões tipo B2/C (89,8%) e uma mediana de dois stents foram usados (intervalo interquartil: 1,0‐2,0 stents). O tempo de procedimento da ICP guiada por USIC foi 14 minutos maior do que no grupo guiado por angiografia (p = 0,006). No entanto, os grupos não diferiram em relação ao tempo de fluoroscopia ou à média de aquisições de imagem por procedimento. A NIC ocorreu em 19,0% vs. 7,3% (p = 0,26). No período de seguimento de 1 ano, 12% dos pacientes apresentaram algum evento cardiovascular maior, sendo dois óbitos (um para cada grupo), e não houve diferenças entre os grupos.

Conclusões

A estratégia de redução de contraste com a ICP guiada pelo ultrassom intravascular, em pacientes com risco para NIC ou sobrecarga de volume, mostrou‐se segura a curto e longo prazos.

ABSTRACT
Background

Recently, the MOZART study demonstrated that using intravascular ultrasound (IVUS) for guiding percutaneous coronary intervention (PCI) reduces the volume of contrast used in the procedure. The authors assessed the incidence of late adverse cardiovascular events in these patients.

Methods

Patients at risk for contrast‐induced nephropathy (CIN) or volume overload were randomized to angiography‐guided versus IVUS‐guided PCI, and followed‐up for a 1‐year period.

Results

Eighty‐three patients were included in the angiography‐guided (n = 42) or IVUS‐guided (n = 41) groups, of whom 77.1% were diabetics and 44.6% had creatinine clearance < 60mL/min/1.73m2. Clinical and angiographic characteristics did not differ between the groups. Most had type B2/C lesions (89.8%) and a median of two stents were used (interquartile range: 1.0‐2.0 stents). The duration of IVUS‐guided PCI was 14minutes longer than the angiography‐guided PCI group (p = 0.006). However, the groups did not differ regarding fluoroscopy time or mean image acquisitions per procedure. CIN occurred in 19.0% vs. 7.3% (p = 0.26). During the 1‐year follow‐up, 12% of patients had a major cardiovascular event, with two deaths (one in each group), and no differences were found between groups.

Conclusions

The contrast reduction strategy with IVUS‐guided PCI in patients at risk for CIN or volume overload was shown to be safe in the short and long term.

Palavras‐chave
Ultrassonografia, Intervenção coronária percutânea, Meios de contraste
Keywords
Ultrasonography, Percutaneous coronary intervention, Contrast media
Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:247-50 - Vol. 23 Núm.4 DOI: 10.1016/j.rbci.2015.08.001