Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:231 - Vol. 23 Núm.3 DOI: 10.1016/j.rbci.2016.05.001
Imagem em Intervenção Cardiovascular
Um gigante na artéria descendente anterior
A giant in the left anterior descending artery
Pedro Magalhãesa,, , Hélder Ribeiroa, Sofia Carvalhoa, Nuno Ferreirab, Paulino Sousaa, J. Ilídio Moreiraa
a Centro Hospitalar de Trás‐os‐Montes e Alto Douro, Hospital de Vila Real, Vila Real, Portugal
b Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho, Hospital de Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Gaia, Portugal
Recebido 20 Junho 2015, Aceitaram 26 Agosto 2015

Paciente do sexo masculino, de 70 anos de idade, ex‐fumante com hipertensão e dislipidemia, foi encaminhado à consulta cardiológica com queixa de dispneia aos esforços e dor torácica atípica. O exame físico foi normal. O eletrocardiograma mostrou ritmo sinusal, 75 bpm, e inversão da onda T em V1‐V3. O ecocardiograma transtorácico revelou função sistólica ventricular esquerda preservada, sem alterações da contratilidade segmentar ou alterações valvares significativas. Ele foi submetido a teste de esforço em esteira com infradesnivelamento do segmento ST, com padra??o descendente, nas derivações DII, DIII, aVF e V2‐V6 (máximo de 3mm). Realizou‐se angiografia coronária, que mostrou estenose suboclusiva do tronco da coronária esquerda distal envolvendo a origem da artéria descendente anterior (DA) e da artéria circunflexa, grande aneurisma fusiforme na DA proximal medindo 10mm de diâmetro e estenose ostial crítica da artéria coronária direita com doença ectásica dos segmentos proximal e médio (fig. 1). Também foi realizada uma angiotomografia coronariana, que permitiu um melhor delineamento da anatomia topográfica do aneurisma da artéria coronária (fig. 2). Considerando a doença de três vasos, incluindo estenose grave do tronco de coronária esquerda e aneurisma coronário gigante, o paciente foi encaminhado à cirurgia cardíaca e submetido à cirurgia de revascularização bem‐sucedida. Ele teve um pós‐operatório sem intercorrências e está atualmente bem e sem sintomas.

Embora não exista uma definição precisa dos aneurismas gigantes da artéria coronária, habitualmente considera‐se o aneurisma como gigante quando seu diâmetro excede o do vaso de referência em mais de quatro vezes, ou quando possui um diâmetro superior a 8mm. A prevalência é maior na população masculina, e a sua principal causa é a aterosclerose. A cirurgia é o tratamento de eleição, e os resultados são favoráveis na maioria dos casos.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

A revisão por pares é de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

Autor para correspondência. Centro Hospitalar de Trás‐os‐Montes e Alto Douro, Hospital de Vila Real, Avenida Noruega, 5.000, Vila Real, Portugal. (Pedro Magalhães pedrogouveiamagalhaes@gmail.com)
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Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:231 - Vol. 23 Núm.3 DOI: 10.1016/j.rbci.2016.05.001