Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:119-23 - Vol. 23 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbci.2015.12.010
Artigo Original
Prevalência, etiologia e características dos pacientes com infarto agudo do miocárdio tipo 2
Prevalence, etiology, and characteristics of patients with type‐2 acute myocardial infarction
Marcia Moura Schmidt, Alexandre Schaan de Quadros, Eduarda Schütz Martinelli, Carlos Antonio Mascia Gottschall,
Instituto de Cardiologia, Fundação Universitária de Cardiologia, Porto Alegre, RS, Brasil
Recebido 16 Janeiro 2015, Aceitaram 21 Abril 2015
Resumo
Introdução

Na prática clínica, os tipos 1 (trombose coronariana) e 2 (desequilíbrio entre a demanda e oferta de oxigênio) de infarto agudo do miocárdio (IAM) não são claramente distinguidos. O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência e a etiologia do IAM tipo 2, e comparar seu perfil com o do tipo 1.

Métodos

Foram analisados pacientes admitidos com IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) com < 12 horas, encaminhados para coronariografia, no período de 2009 a 2013.

Resultados

Foram incluídos 1.960 pacientes, sendo 1.817 analisados, dos quais 1.786 (98,3%) com IAM tipo 1 e 31 (1,7%) do tipo de 2. Todos os pacientes com IAM tipo 2 apresentaram coronárias sem lesões significativas e, em 36% dos casos, discinesia apical. Os pacientes com IAM tipo 2 apresentaram, em geral, perfil clínico e laboratorial semelhante aos do tipo 1, com exceção da idade mais jovem, menores níveis de marcadores de necrose miocárdica, maior probabilidade de apresentarem fluxo TIMI 3 pré e maior fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Aos 30 dias, a mortalidade (3,2 vs. 9,0%; p=0,23) e a ocorrência de morte, reinfarto ou necessidade de revascularização do vaso‐alvo (3,2 vs. 13,0%; p=0,09) foram numericamente menores no IAM tipo 2.

Conclusões

Uma pequena fração de pacientes com IAMCST foi classificada como de tipo 2; exibiram anormalidades estruturais isoladas ou associadas à ausência de lesões significativas; mostraram poucas diferenças no perfil clínico e laboratorial, e desfechos clínicos semelhantes aos 30 dias, comparados aos pacientes com IAM tipo 1.

Abstract
Background

In clinical practice, type‐1 (coronary thrombosis) and type‐2 (imbalance between oxygen demand and supply) acute myocardial infarction (AMI) are not clearly differentiated. The aim of this study was to evaluate the prevalence and etiology of type‐2 AMI and compare its profile with that of type‐1 AMI.

Methods

Patients admitted with ST‐segment elevation AMI (STEMI) < 12hours of symptom onset, and referred for coronary angiography, from 2009 to 2013, were analyzed.

Results

There were 1,960 patients included; 1,817 were analyzed, of whom 1,786 (98.3%) had type‐1 AMI, and 31 (1.7%), type‐2. All patients with type‐2 AMI showed no significant coronary lesions, and 36% of the cases had apical dyskinesia. Type‐2 AMI patients had, in general, a clinical and laboratory profile that was similar to those with type‐1, except for the younger age, lower levels of myocardial necrosis markers, higher probability of having pre‐TIMI 3 flow and higher left ventricular ejection fraction. At 30 days, mortality (3.2 vs. 9.0%; p=0.23) and the occurrence of death, reinfarction, or need for target‐vessel revascularization (3.2 vs. 13.0%; p=0.09) were numerically lower in type‐2 AMI.

Conclusions

Few patients with STEMI were classified as type‐2; they had structural abnormalities, isolated or associated with the absence of significant lesions; showed little difference regarding the clinical and laboratory profile, and similar clinical outcomes at 30 days, when compared to patients with type‐1 AMI.

Palavras‐chave
Infarto do miocárdio, Classificação, Angiografia
Keywords
Myocardial infarction, Classification, Angiography
Rev Bras Cardiol Invasiva 2015;23:119-23 - Vol. 23 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbci.2015.12.010