Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Rev Bras Cardiol Invasiva 2016;24:19-24 - Vol. 24 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbci.2017.08.003
Artigo Original
Intervenção coronária percutânea primária ou de resgate em tabagistas
Primary or rescue percutaneous coronary intervention in smokers
Fernando Augusto Molinari di Castro Curadoa,, , Gustavo Carvalhob, Ana Tereza de Azeredo Bastos Filhob, Wellington Borges Custodioa, Wilson Albino Pimentel Britoa, Marcelo Cantarellic
a Hospital Beneficência Portuguesa, São Paulo, SP, Brasil
b Hospital das Clínicas de Goiânia, Goiânia, GO, Brasil
c Hospital Bandeirantes, São Paulo, SP, Brasil
Recebido 05 Janeiro 2016, Aceitaram 10 Março 2016
RESUMO
Introdução

Apesar da estreita relação do tabagismo com o desenvolvimento da doença aterosclerótica, pouco se sabe sobre as características clínicas e os desfechos relacionados à intervenção coronária percutânea (ICP) em tabagistas com síndrome coronariana aguda no Brasil. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil clínico, angiográfico e do procedimento, além de desfechos hospitalares, em pacientes tabagistas e não tabagistas com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) submetidos à ICP primária ou de resgate.

Métodos

Estudo transversal do registro da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) entre 2006 e 2016. A população do estudo incluiu pacientes com idade ≥ 18 anos que apresentassem IAMCST submetidos à ICP primária ou de resgate.

Resultados

Foram incluídos 20.319 pacientes, dos quais 6.880 (34,4%) eram tabagistas. O grupo de pacientes tabagistas era significativamente mais jovem, do sexo masculino e com menor prevalência de comorbidades. À angiografia, os tabagistas apresentaram maior complexidade, com maior prevalência de trombos, de lesões longas ou fluxo TIMI 0/1. Durante o procedimento, os tabagistas receberam stent farmacológico em menor proporção e a tromboaspiração foi mais frequente, bem como o sucesso do procedimento (94,2% vs. 92,1%; p < 0,0001). Na análise univariada, pacientes tabagistas apresentaram menor mortalidade (2,9% vs. 4,5%; p < 0,0001) e menos eventos cardíacos adversos maiores (3,3% vs. 4,8%; p < 0,0001). No entanto, após análise multivariada, o tabagismo não se associou a menor risco de mortalidade.

Conclusões

Embora os desfechos clínicos associados à ICP tenham sido favoráveis aos pacientes tabagistas, a análise multivariada não demonstrou efeito protetor do tabagismo. Tais resultados são devidos às diferenças encontradas nas características clínicas e angiográficas entre pacientes tabagistas e não tabagistas.

ABSTRACT
Background

Despite the close association between smoking and atherosclerotic disease development, little is known about the clinical characteristics and outcomes related to percutaneous coronary intervention (PCI) in smokers with acute coronary syndrome in Brazil. This study aimed to analyze the clinical, angiographic, and procedural profile, in addition to in‐hospital outcomes, in smokers and non‐smokers with acute myocardial infarction with ST‐segment elevation (STEMI) submitted to primary or rescue PCI.

Methods

Cross‐sectional study of the Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC) registry between 2006 and 2016. The study population included patients aged ≥ 18 years who presented with STEMI and were submitted to primary or rescue PCI.

Results

A total of 20,319 patients were included, of whom 6,880 (34.4%) were smokers. The group of smokers was significantly younger, male, and with a lower prevalence of comorbidities. At angiography, smokers showed greater complexity, with a higher prevalence of thrombi, long lesions or TIMI flow 0/1. During the procedure, smokers received a lower proportion of drug‐eluting stents and thrombus aspiration was more frequent, as well as procedural success (94.2% vs. 92.1%; p < 0.0001). In the univariate analysis, smokers showed lower mortality (2.9% vs. 4.5%; p < 0.0001) and fewer major adverse cardiac events (3.3% vs. 4.8%; p < 0.0001). However, after multivariate analysis, smoking was not associated with a lower risk of mortality.

Conclusions

Although the clinical outcomes associated with the PCI were favorable to smokers, the multivariate analysis did not show a protective effect of smoking. Such results are due to differences in clinical and angiographic characteristics between smokers and non‐smokers.

Palavras‐chave
Tabagismo, Angioplastia, Infarto agudo do miocárdio, Intervenção coronária percutânea
Keywords
Smoking, Angioplasty, Acute myocardial infarction, Percutaneous coronary intervention
Rev Bras Cardiol Invasiva 2016;24:19-24 - Vol. 24 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbci.2017.08.003
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