Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
Rev Bras Cardiol Invasiva 2016;24:25-9 - Vol. 24 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbci.2017.08.004
Artigo Original
Avaliação de desfechos após intervenção coronária percutânea com implante de stents farmacológicos em diabéticos multiarteriais: impacto incremental dos escores SYNTAX e SYNTAX residual em resultados clínicos de longo prazo
Outcome evaluation after angioplasty with drug‐eluting stent implantation in multivessel diabetic patients: incremental impact of SYNTAX and residual SYNTAX scores on long‐term clinical outcomes
Rômulo Francisco de Almeida Torres, , Suellen Lacerda Bezerra, Márcia Beatriz de Jesus Lima, Tercyo Leonardo Coelho Cunha, Marcela Moraes Cury, Guilherme Barreto Gameiro Silva, Daniel Bouchabki de Almeida Diehl, Alexandre Abizaid, Amanda Guerra M.R. Sousa, J. Ribamar Costa
Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP, Brasil
Recebido 03 Janeiro 2016, Aceitaram 03 Março 2016
RESUMO
Introdução

Apesar do advento dos stents farmacológicos (SF), diabéticos ainda experimentam risco aumentado de eventos cerebrovasculares e cardiovasculares maiores (ECCAM) após intervenção coronária percutânea (ICP). Nosso objetivo foi avaliar a incidência de ECCAM (óbito, acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio não fatal ou revascularização da lesão alvo) no seguimento de pelo menos 1 ano, além da capacidade de os escores SYNTAX e SYNTAX residual predizerem eventos.

Métodos

Estudo unicêntrico, retrospectivo, de diabéticos com doença coronariana multiarterial, incluindo lesões de tronco de coronária esquerda (TCE), tratados com SF entre 2012 a 2014.

Resultados

Foram incluídos 158 pacientes, com média de idades de 65,1 ± 9,1 anos. Em 44,2% dos casos, havia lesão proximal da artéria descendente anterior e 9% apresentavam lesão de TCE. A maioria dos procedimentos foi realizada com SF de segunda geração (91,1%). A média de seguimento foi de 1.054 ± 725 dias, e o ECCAM ocorreu em 17,4% dos pacientes. Entre aqueles com escore SYNTAX baixo (< 23), 10,2% apresentaram ECCAM, enquanto que entre os que foram categorizados como com SYNTAX moderado/alto (≥ 23), a incidência foi de 33,3% (p = 0,003). Dos pacientes com escore SYNTAX residual zero (revascularização completa), 7,5% evoluíram com ECCAM, comparados com 22,0% com revascularização incompleta (p = 0,01).

Conclusões

O presente estudo aponta para a factibilidade e a segurança da realização de ICP em diabéticos multiarteriais, especialmente entre aqueles com baixa complexidade angiográfica. A revascularização incompleta foi preditora da maior ocorrência de ECCAM no seguimento de médio/longo prazo.

ABSTRACT
Background

Despite the advent of drug‐eluting stents (DES), diabetic patients still have increased risk of major adverse cardiovascular and cerebrovascular (MACCE) after percutaneous coronary intervention (PCI). Our aim was to evaluate the incidence of MACCE (death, stroke, non‐fatal acute myocardial infarction, or target‐lesion revascularization) during a follow‐up of at least 1 year, in addition to the ability of the SYNTAX and residual SYNTAX scores to predict events.

Methods

Single‐center, retrospective study of diabetic patients with multivessel coronary disease, including left main coronary artery (LMCA) lesions treated with DES between 2012 and 2014.

Results

A total of 158 patients were included, with a mean age of 65.1 ± 9.1 years. In 44.2% of the cases, there was a proximal lesion in the left anterior descending artery and 9% had a lesion in the LMCA. Most procedures were performed with second‐generation DES (91.1%). Mean follow‐up was 1,054 ± 725 days, and MACCE occurred in 17.4% of the patients. Among those with a low SYNTAX score (< 23), 10.2% had MACCE, while among those classified as having a moderate/high SYNTAX score (≥ 23), the incidence was 33.3% (p = 0.003). Of the patients with zero residual SYNTAX score (complete revascularization), 7.5% progressed with MACCE, compared with 22.0% with incomplete revascularization (p = 0.01).

Conclusions

The present study points to the feasibility and safety of performing PCI in multivessel diabetic patients, especially among those with low angiographic complexity. Incomplete revascularization was a predictor of a higher occurrence of MACCE in the medium/long‐term follow‐up.

Palavras‐chave
Diabetes mellitus, Stents farmacológicos, Intervenção coronária percutânea
Keywords
Diabetes mellitus, Drug‐eluting stents, Percutaneous coronary intervention
Rev Bras Cardiol Invasiva 2016;24:25-9 - Vol. 24 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbci.2017.08.004